Cabo Verde quer céu aberto com a União Europeia
A SEMANA 24-07-2010
Cabo Verde quer céu aberto com a União Europeia
O governo está a negociar com a União Europeia (UE) a possibilidade de conseguir céu aberto para a circulação dos transporte aéreos. O ministro Manuel Inocêncio revelou que o processo “não é fácil”, mas não escondeu a esperança de o conseguir, depois de em Junho ter assinado um acordo horizontal que integra todos os outros acordos da organização europeia.

No terceiro fórum sobre turismo residencial, promovido pela Promitur, os transportes estiveram no centro das atenções. No painel dedicado às acessibilidades, da parte da tarde, o ministro do Estado, Infra-estruturas, dos Transportes e Telecomunicações, Manuel Inocêncio, apresentou os investimentos que o governo tem em mãos para garantir a ligação entre as ilhas e com o exterior.
“Temos vários acordos com a maior parte dos países europeus mas o objectivo é chegar a um acordo aéreo de céu aberto com a União Europeia (UE) e isso facilitará imensamente as transportadoras no negócio dos transportes aéreos entre Europa e Cabo Verde. Um ‘open space’ liberaliza a circulação entre Cabo Verde e a Europa”, defendeu Manuel Inocêncio.
O ministro não escondeu o quanto isso “é difícil” até porque já lhe assumiram que “Cabo Verde não é assim tão interessante e competitivo para os países europeus”. Ainda assim Manuel Inocêncio mostrou-se esperançoso em concretizar esse objectivo.
“Conseguimos uma acordo horizontal, em Junho, com a UE, e disseram que esse seria o primeiro passo. Nós também acreditamos que a nossa capacidade de diplomacia e o acordo de parceria especial com a UE nos vão fazer chegar lá”.
Em resposta às questões da plateia, o ministro revelou que “o governo está aberto e apoia qualquer operador turístico que consiga atrair para Cabo Verde voos ‘low coast’, nomeadamente entre o arquipélago e Portugal, o que aumentaria o fluxo turístico e não só, seria também favorável às comunidades cabo-verdianas”.
"Transportes aéreos e marítimos com regularidade, horário e conforto entre as ilhas".
Manuel Inocêncio enumerou ainda as infra-estruturas que o governo tem construído, como os três aeroportos internacionais que ligam o país ao mundo e vice-versa, e referiu ainda o que está a ser feito nas ligações marítimas do arquipélago.
“Estamos a investir nas infra-estruturas para a possibilidade do uso de ferrys, a equipar todos os portos com terminais de passageiros, com a devida organização e conforto necessário”. Também os investidores privados “vão beneficiar com estes investimentos”.
“A partir de 2011/2012 teremos transportes marítimos, entre as ilhas, mais equipados, organizados, regulares e com horários rigorosos, rápidos, simples, com qualidade e conforto”, garantiu o ministro. “A partir daí podemos falar em intermodalidade entre os dois principais transportes, aéreo e marítimo, até lá não vale a pena despender energias nessa direcção”.
IVA e financiamento também em debate
A tarde ficou ainda marcada pelo IVA. Leendert Vershoor e Susana Caetano, da Partner PrincewaterhouseCoopers, “queixaram-se” da aplicação de uma taxa de 15% de IVA em alguns produtos, nomeadamente no mobiliário, que desde meados de 2009 veio “agravar os custos dos empreendimentos turísticos, uma vez que Cabo Verde não tem produção própria e é preciso importar”.
Já o presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVC), Veríssimo Pinto, fez uma demonstração dos vários empréstimos já realizados a empresas cabo-verdianas e apresentou possibilidades dos empréstimos a pequenas e médias empresas, uma vez que as “linhas de crédito nem sempre funcionam”.
“A BVC, bem trabalhada, pode revolucionar o mercado cabo-verdiano e está ao alcance de todos. É seguro e não depende de terceiros, depende só de nós”, referiu Veríssimo Pinto.
IMN/RP/NLF
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